segunda-feira, outubro 17, 2005

Quantas vezes morremos?

Quantas vezes morremos em uma única vida? Quantas vezes nascemos de novo? Quantas vezes acordamos e ao olhar no espelho encontramos alguém diferente daquele que escovou os dentes na nossa frente algumas horas atrás?

Mudamos, todos os dias. Não são somente novas células que nascem, envelhecem e morrem, nem nosso cabelo que perde a cor ou cai. Não são apenas nossos olhos que parecem mais cansados a cada manhã, nem nossos joelhos que se desgastam a cada dia. Ficamos diferentes ao nos redescobrirmos, ao perceber nossa vida de uma outro ângulo, de outra forma que não aquela a qual sempre nos habituamos.

Engraçado como precisamos de alguém para nos ajudar nessa descoberta. A descoberta de nós mesmos nunca é uma viagem solitária. Quanto mais fundo precisarmos mergulhar em nossas mentes e almas, mais precisaremos de alguém que nos ajude, que nos instigue a querer ir mais longe.

A única maneira de encontrar as respostas as quais buscamos é formulando as perguntas certas. Muitas, simplesmente, não tem resposta e isso pode ser o resultado da busca de uma vida: admitir que não temos todas as respostas no fundo de um baú guardado em algum lugar do nosso inconsciente.

As perguntas, muitas vezes, não tem por objetivo encontrar uma resposta, mas instigar o pensamento. Pode ser que nunca achemos uma resposta, ou uma única resposta. Pode ser que encontremos nenhuma ou centenas de possibilidades para um mesmo problemas e isso não quer dizer que há mais ou menos sabedoria. A sabedoria está realmente em buscar fazer as melhores perguntas.

segunda-feira, outubro 03, 2005

Confissões de uma mente inquieta I

Tive um dia bastante pesado, definitivamente eu não estava bem, com indícios de depressão. Conversei com uma amiga no messenger para tentar me animar, praticamente só eu falei. Caso ela sofresse de depressão crônica teria sido trágico pra coitada, pois eu estava muito baixo astral. Há algum tempo estou nessa fase deprê.
À tarde fui ao médico. Há duas semanas venho sofrendo de uma alergia muito forte, que incha minhas articulações e me atrapalha em tudo. Não deu outra. No prognóstico a razão foi a ritalina, medicamento o qual eu havia começado tomar semanas atrás pra tentar controlar meu DDA e conseguir maior concentração no trabalho. Meu organismo reagiu violentamente à medicação, até para no hospital eu fui parar. Voltei do médico aliviado por saber o que está acontecendo comigo, qual a razão da alergia. Nos próximos vinte dias o allegra será meu melhor companheiro, até sair todos os anti-corpos à ritalina que meu organismo criou.
Mais tarde, cheguei no flat cansado depois de uma boa corrida no parque. Cheio de pensamentos na cabeça, a maioria ruins, resolvi encher a banheira e fazer uma hidromassagem, o que é uma coisa muito rara nessa minha rotina corrida.
Coldplay no som do notebook, levei uns minutos para adequar a temperatura da água. Finalmente entrei, ficando praticamente 99% submerso. Fui expelido pelo calor que estava insuportável. Não desisti. Depois de esfriar a água finalmente me acostumei e relaxei. Totalmente tranqüilo, permaneci imóvel, com todos os músculos inertes. Bom, eu disse músculos, porque meu cérebro estava a mil.
Minha mente funciona o tempo todo, sem parar. Seja comendo, dormindo, escovando os dentes, sempre está a toda. Pra quem não sabe o Distúrbio do Défict de Atenção – DDA, também conhecido por Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade é ocasionado por uma formação diferente do cérebro, onde há maiores atividades na parte frontal, justamente a responsável pelos impulsos. Impulsos, assim são meus pensamentos. Um origina o outro, tudo muito rápido.
Se começo pensar que tenho que acordar amanhã de manhã para ir ao trabalho no mesmo instante me vem à cabeça que no caminho passo por um parque. Este parque é verde. Verde é a cor da minha blusa preferida. Que eu comprei numa loja de um shopping. Que tinha uma vendedora muito bonita. Que tinha os olhos azuis assim como o mar. Como adoro mar. Que saudade da praia. Minha praia preferida é Laguna, onde tenho muitos amigos de infância. Nossa, minha infância, quantas recordações... Calma! Já to fugindo do assunto, mas é assim que minha mente funciona.
Bom, estava eu na banheira lembrando a teoria do empuxo para explicar porque meu corpo estava em equilíbrio dentro da água quando lembrei das palavras do Dalai Lama sobre encontrar a felicidade no equilíbrio e a importância da meditação para aumentar a qualidade de vida e conseguir maior auto conhecimento.
Então, já que é para o meu bem, vamos meditar, esvaziar a mente, não pensar em nada... Há! Há! Há! Quem disse que eu consegui ficar mais de 15 segundos? Não contente, fiz a mim um desafio. Ficar 5 minutos meditando. É aqui que começa essa história desse blog.
À medida que eu tentava ficar sem pensar em nada, os pensamentos borbulhavam, como que com raiva por eu estar lutando contra eles. Por mais que eu tentasse eu jamais conseguiria daquela forma. Foi aí que percebi que pra ficar sem pensar nada eu tenho que pensar muito. E eu realmente pensei, mas pensar em uma única coisa, sem desviar minha atenção. Isto é muito difícil. É como se numa festa cheia de gente - pois é exatamente assim que a minha mente parece - eu tentasse ouvir apenas os batimentos do meu próprio coração. Impossível? Quase.
No meio desta festa, achei uma sala vazia e corri pra lá. Ainda dava pra ouvir as outras vozes, mas com um esforcinho consegui por uns segundos escutar meu coração. Dentro da minha mente, consegui isolar a área responsável pela produção dos pensamentos, e conceitrei-me numa parte lá de trás, à esquerda. Percebi que não tinha ninguém, apenas umas memórias antigas: um céu de fim de tarde em Laguna e umas estrelas de Imbassaí. Lá fiquei por uns minutos, seis pra ser bem preciso. Um a mais do desafio o qual eu tinha me proposto, lá eu me encontrei: Confissões de Uma Mente Inquieta.
Pulei da água num impulso. Comemorei muito o feito. Abri o chuveiro para escorrer a água “poluída” com meus pensamentos ruins e renovar minha energia positiva. Gritei um monte. Vibrei. Já que eu tenho uma mente inquieta, que não pára nunca, vou pô-la pra trabalhar pra mim, tentar dar um foco para esse jato de pensamentos.
Debaixo de um céu de baunilha, num cantinho quieto do meu cérebro, decidi que deveria escrever minhas impressões deste mundo. Esse blog é uma ferramenta que criei para me ajudar a usar o DDA ao meu favor e, se possível, ajudar pessoas com a mesma dificuldade a encontrar um cantinho de paz em suas mentes inquietas.

pc junior

Chega de pensar

Poise,
resolvi ficar zen, chega de pensar.

Na beta e no que poderia ter sido...
Chega de ficar triste porque o mundo tem um lado horrivel, nada como um bom cafe pra gente perceber que a vida é bela, que não existe nada melhor do que estar aqui, tentando. Que, o melhor de tudo, não são as conquistas em si, mas o caminho que se trilha até elas -
aí que está a graça de tudo e que são as pequenas coisas que realmente importam.
É em saber aproveitar, gostar, rir, amar as pequenas coisas que está a felicidade.
Vitórias são excelentes, mas elas não vêm sozinhas e o seu gostinho passa rápido. Saber gostar dos meios é onde está o segredo.
Chega de ficar pensando... chega de ficar imaginando coisas que poderiam e nao poderiam ser.
Chega de pensar.
A mente nao deve ficar presa a pensamentos, ela deve ser livre.... livre pra sentir, livre pra viver.
O segredo do equilíbrio é saber esvaziar a mente e não o contrário.
Passamos o dia todo enchendo a mente, colocando informações inúteis, ou úteis, que seja,
mas esquecemos de esvaziá-la.
Este é o segredo, esvaziar a mente... fazer com que os pensamentos escorram feito água suja, descendo pela rua num dia de tempestade.
Vou esvaziar minha mente.
Não sei onde vou...;
Não sei pra qual lugar vou...;
Só sei que vou..
Não quero mais ficar aqui, com meus pensamentos...
Chega dos meus pensamentos, chega de mim - cansei!
Tô saindo de férias e não volto mais.
Vou-me embora pra passárgada, pois lá sou amigo do rei.
Vou nas asas de um pássaro e vou sozinho. Vou sem mim, pois cansei de mim.
Até!

Quando tu voltares eu estarei aqui, finalmente sozinho e sem mim.
Sem esse chato que nao me deixa em paz, que so fica pensando, pensando...
Vou me livrar de mim, vou parar de pensar, nao quero mais pensar.
Apenas vou...
Mas vou sem mim
Sem instinto, sem destino, apenas vou.

Até!

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