segunda-feira, novembro 27, 2006

crush me

Inspiração, alimento da minha criação, fruto da minha vontade, prazer da minha mente, paz do meu sono, tranquilizante da minha raiva, placebo da minha desconfiança, alegria do meu dia, sol do meu dia de chuva, sombra do meu dia de sol, minha melhor manhã, tarde e noite, trilha sonora da minha vida, meu filme preferido, meu quadro predileto, teu abraço, tudo que quero, um céu azul, um pôr do sol, todas as cores, contigo, todos os cheiros, infinito, meu amor, enquando dure, sempre.
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"It's crazy, I'm thinking, Just as long as you're around, And here I'll be dancing on the ground, Am I right side up or upside down, To each other we'll be facing, By love, By love, We'll beat back the pain we've found, You know, I mean to tell you all the things I've been thinking deepinside, My friend, With each moment the more I love you, Crush me." (Dave Mathews)

sábado, novembro 25, 2006

formigas, tags e sapatos chanel

Toc toc toc... a executiva bem sucedida desfila elétrica sobre seu chanel no grês porcelanatto black. Nesse seu vai e vem não tem tempo para observar o resultado das duas horas diárias de academia nem a bela escova que fez no cabelo pela manhã, refletidos no piso que mais parece um espelho. Ela está desenfreada para não perder um prazo, para atingir uma meta que não é sua, aumentar os lucros e diminuir os custos de uma empresa que não lhe pertence. Deixar os cofres alheios mais cheios é seu trabalho, sua vida. 24 horas por dia com o celular ligado, on line o dia todo via palm, blackberry, wireless. Seu cérebro consome fosfato numa curva ascendente, no mesmo ritmo que absorve cafeína, a droga do momento que substitui a nicotina, abolida no último ano, com ela foram cortadas aqueles que não aderiram à nova exigência e não conseguiram abandonar o hábito.
Giovanna Lavoro, descendente de italianos que vieram para o Brasil com o mesmo propósito: trabalhar, fazer fortuna e continuar trabalhando, sem ter nem tempo para usufruir dos frutos do seu trabalho.

Tic tac, tic tac, tic tac. O Tag Heuer Carrera rege a vida do executivo work-a-holic, ávido por trabalho, compulsivo, estressado imaginando mil e uma formas de ganhar mais dinheiro, empurrando seus produtos para as pessoas que ainda não têm necessidade deles. 12:00, hora de tomar a nova droga para o coração, no último check up foi diagnosticado uma arritmia cardíaca que em pouco tempo pode tornar-se mais séria. “As drogas estão aí para isto mesmo: consertar os efeitos da falta de alimentação e descanso, impossíveis nos dias de hoje” diz ele a quem lhe alerta. Volta e meia, quando os ponteiros do Tag encontram-se na posição mais alta da coroa do relógio ele se lembra que também é hora do almoço, mas isto muitas vezes é um luxo a que ele não pode se dar ao prazer, mesmo que seja uma singela maçã.
A vida de Ricardo Stark é assim. Ele constrói empresas, capta recursos, ajuda gerar empregos, mas também suja as mãos com propina paga ao governo pela construtora a qual representa, no caso de um condomínio de luxo em uma área que do dia para a noite deixou de ser de preservação.

Ha ha ha. Riem à toa donas de casa, jovens, senhores, profissionais liberais. É a nova novela das sete com seu humor pastelão escrachado, que na falta de um livro para ler, um papo para bater é a melhor opção de entretenimento e distração para cérebros preguiçosos.

............... O som que elas fazem enquanto cavam, carregam e criam incessantemente é imperceptível aos ouvidos humanos, mas elas estão lá. Formigas, exemplos máximos da coletividade e do trabalho na natureza. Elas precisam abastecer o formigueiro para o inverno e assim, dar a lição ao gafanhoto preguiçoso. É preciso atingir a meta, é preciso deixar a rainha satisfeita, não importa se passar por cima das outras seja necessário. O trabalho tem que ser feito, está escrito no código genético, mesmo sem tag heuer ou sapato chanel, o prazo tem que ser cumprido.

E a vida segue num ritmo frenético e acelerado em direção ao colapso. O planeta têm seus recursos consumidos num ritmo nunca antes visto, muitos beiram o esgotamento. Num ímpeto cada vez maior de levar comida ao formigueiro, seres humanos perdem sua identidade à medida que aumenta seu desejo por mais. O trabalho exagerado assume a forma humana, toma lugar da liberdade individual e transforma todos numa sociedade comum de formigas, onde umas passam sobre as outras. O prêmio: mais trabalho, mais responsabilidade e menos tempo para contemplar o que está ao seu redor.

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