Duas reportagens da Folha deste domingo me deixaram preocupado: 1º - “Crise aérea e acidente não afetam aprovação de Lula”; 2ª. – “Público quer ver mais filmes dublados”.
A primeira confirma que o pão e circo – fome zero e Pan – deu certo. O povão não voa de avião, nunca foi num aeroporto e não está nem aí para a crise que nos afeta. Pelo contrário, o sarcasmo lulista colou, ironizando aqueles que são contra seu desgoverno com um inferno caótico no sistema aeroviário nacional. Lula deve rir e muito em sua poltrona confortável, assistindo na tv de plasma empresários penando na fila, enquanto saboreia um cubano e toma sua cachaça.
De maneira geral, o último bloco do jornal nacional, aquele que fala das “alegrias do brasileiro” é eficaz em apagar a indignação gerada pela primeira parte, aquela chata que fala de política, economia, acidentes, que mostra as feridas abertas do país.
A segunda notícia também é preocupante. Não pelo fato em si, afinal, os franceses também assistem a filmes americanos dublados para o seu idioma. Porém, os descendentes de Carlos Magno o fazem por puro nacionalismo, enquanto aqui os cinemas estão percebendo que a fatia daqueles que compram entradas para as versões dubladas aumenta pelo simples fato do público não querer ler, não querer pensar. Isso explica porque eles são o povo mais culto do mundo e nós, lamentáveis semi-analfabetos.
É notório que somos um povo que não lê livros, revistas, jornais. Agora seremos um povo que muito menos legendas lerá. Somos um povo que prefere pudim, pois temos preguiça de mastigar. Somos um povo que gosta de sentar e absorver por difusão (lembrando que osmose é a passagem do meio de maior concentração para o de menor), enquanto outros pensam e decidem por nós.
Assim, uma manchete completa a outra. Deixamos nosso cérebro de lado, enferrujamos nosso pensamento, jogamos no lixo um esboço de filosofia que nem sequer um dia concluímos. Paramos de ler, de pensar e aceitamos a trapalhada patética que nos governa. Já que seremos uma nação somente em 2010, quando a seleção de futebol tentará o hexa na África do Sul, para que nos preocuparemos agora? Estamos tão sedados que não vemos o tamanho do perigo que corremos e, o que é muito pior, gostamos assim.