sábado, junho 24, 2006

Trens, culetos e pixels


E se de repente eu ficasse louco? Será que eu entenderia melhor esse mundo maluco? Qual é a realidade: estou perdido num mundo de doidos ou sou um lunático entre os lúcidos? A cada passo é mais escuro, mais barulhento, mais incômodo, mais abafado, sufocante. Não há mais entendimento apenas gritos, sirenes, buzinas e o pior som de todos o silêncio, indiferente.
Tem cada vez mais pessoas disputando o mesmo lugar no mesmo corredor. Cada vez mais passageiros no trem e sequer tenho a certeza de estar no trem certo. Ah se pelo menos soubesse para onde o trem vai.
O caminho é escuro, mas talvez seja eu quem esteja usando óculos escuros.
Que mundo é esse, estranho mundo, onde cada um é um número, nada mais que um número, um pixel num gráfico colorido no notebook de um executivo no topo do arranha-céu? Será que ele sabe pra onde o trem está indo?
E o trem segue cada vez mais rápido e alucinado, deixando uma fétida fumaça escura, mistura de enxofre e cheiro de sonhos queimados, almas desperdiçadas para alimentar o vapor da locomotiva guiada por um maquinista com cara de Dick Vigarista que apita e ri feito um açougueiro louco com um cutelo desvairado na mão.
E o executivo ri, gargalha jogando a cabeça para trás na melhor poltrona no trem, deletando pixels dos gráficos à sua frente e os jogando na fogueira. O trem continua aumentando a velocidade, ficando incontrolavelmente louco e desgovernado à medida que os passageiros brigam pra ficar dentro. Que paradoxo!
Mas, e se eu cair do trem? Ou for posto pra fora? Quem sabe para onde eu iria, para a loucura? Talvez enfim, ficaria finalmente lúcido e encontraria meu caminho, meu próprio caminho, longe de trens, cutelos e pixels. Afinal, quem disse que preciso deles pra ser feliz?

quinta-feira, junho 22, 2006

Pão e Circo

Tempo de Copa do Mundo, de ânimos exaltados por todo o país, onde gente que não entende nada de futebol se une a técnicos de pijama e durante um mês em quatro anos formam uma nação.
Não sei como é na Itália, na Alemanha ou na Argentina, mas aqui a Copa do Mundo é uma revanche, é uma maneira de dar uma banana aos governos menos corruptos, às estradas bem conservadas, aos tributos não abusivos, à polícia mais eficiente e a tudo mais que países ricos têm e nós não.
Também é a forma de esquecermos que não somos o grande país que gostaríamos que queremos justiça e não temos e que nos vemos cada dia mais pobres, com mais filhos, maiores dívidas, menos saúde e mais gordos. Mas, brasileiros ainda precisamos mostrar ao mundo que somos os melhores, que o nosso país é a 8ª. maravilha e que ainda somos o país de um futuro que nunca chega. Logo, a Copa do Mundo, onde metade do planeta estará com os olhos voltados, é o palco perfeito.
12 de junho de 2006, Brasil 1, Croácia 0 na estréia. Qualquer país estaria feliz com sua seleção vencendo um adversário difícil, menos o Brasil. Não queremos os 3 pontos, queremos o espetáculo, a graça. Na segunda partida, 2 x 0 contra Austrália, mais uma decepção. Faltou show, afinal é a nossa seleção a que joga bonito®. E ainda ficamos apavorados porque a Argentina ganhou de 6 com jogadas brilhantes. Chamamos Ronaldo de gordo, xingamos o técnico como se pudéssemos fazer melhor no lugar deles e nos desesperamos como se isso realmente tivesse muita importância, que não um mero passatempo.
Bom, eu sou um torcedor de Copa, não vejo jogos fora dela, não gosto de futebol, logo, quem sou eu pra dizer se o Brasil está jogando bem ou mal? Mas posso dizer que nas últimas 3 Copas (1994,1998,2002) aconteceu a mesma coisa. O Brasil estreou vencendo, mas decepcionando pela falta do “futebol arte”. Contra fatos não existem argumentos, nas três o Brasil chegou na final e venceu duas. Pra mim isso basta.
Concluindo, brasileiros gostamos mesmo é de pão e circo. Queremos o Fome Zero e o Bolsa Família e a amarelinha dando show, o resto deixa tudo como está que está bom. Ah, mas o futebol é a nossa paixão, orgulho da pátria, dizem por ai. É, realmente estes têm razão, na falta de algo melhor, este é nosso orgulho. Agora, apesar termos uma ótima seleção, formada pelos melhores jogadores e técnicos ela é um conjunto de humanos, que podem errar e falhar. Então, meu amigo torcedor, é uma idiotice pensar que a seleção é uma instituição nacional e que cabe aos jogadores o dever de trazer a alegria ao povo. Aprenda a votar e exija dos políticos os resultados prometidos com o mesmo ímpeto e paixão que exiges firulas com a bola e gols dos jogadores.

segunda-feira, junho 12, 2006

Ah se eu fosse publicitário, não perderia essa.

Colocamos bolhas em nossos calçados justamente para eles não criarem bolhas em seus pés.

Dia dos Namorados

12 de junho, mais uma data que aquece as vendas do comércio, enche restaurantes à noite e em seguida lota os motéis. Data que esquenta os corações com uma nova paixão ou requenta com antigas mas que, para uns, pode ser um balde de água fria, passar o dia 12 deste mês quase gelado sem uma companhia agradável. Nessa hora até aquele pobre dispensado é lembrado.
Pra quem quer que seja é mais um dia a se viver, a se aprender, a se pensar. Se tens alguém, dá valor, passa um momento junto, liga ou manda um cartão se tiveres longe. Se não tens, compra algo pra ti, reflita.
Mas, se estiveres mesmo desesperada (minha amiga), depois do dia 12 vem o dia 13, que neste mês junino é dia daquele santo que há séculos traz esperança àquelas que não querem que a ausência se repita no próximo ano.

Para todos, um feliz dia dos namorados.

sábado, junho 10, 2006

shine on you crazy diamond


Lembre-se de quando você era jovem
Você brilhava como o sol
Continue a brilhar, louco diamante
Agora há um olhar em teu rosto
Como buracos negros no céu
Continue a brilhar, louco diamante
Você foi pego no fogo cruzado
Entre a infância e o estrelato
Arrastado pela brisa de aço
Vamos, alvo de risos distantes
Vamos, estranho, lenda, mártir e brilhe!
Você buscou alcançar o segredo cedo demais
Você quis o impossível
Continue a brilhar, louco diamante
Ameaçado pelas sombras à noite
E exposto à luz
Continue a brilhar, louco diamante
Bem, você desgastou suas boas-vindas
Com precisão a esmo
Cavalgou a brisa de aço
Vamos, festeiro, visionário
Vamos, pintor, tocador de gaita, prisioneiro, brilhe!
Gilmour, Wright, Waters
Para aqueles momentos em que penso que tudo sempre será como agora o é e que meus sonhos de criança ficaram para trás junto com os anos. Não! Ainda há muito o que fazer, muito o que sonhar e conquistar. Vamos, lute, sonhe, divague, brigue, louco diamante. Nada o impedirá de tornar-se astronauta a não ser tu mesmo, então brilhe.

quarta-feira, junho 07, 2006

Bolhas de Ronaldo assustam a nação


Nestes dias nada mais preocupa o Brasil que o desempenho de sua Seleção de futebol na Copa da Alemanha. Todos os jornais, noticiários, sejam eles sérios ou não têm dedicado grande parte de sua programação ao tema – e a tendência é aumentar – dos treinos e táticas, do time a ser escalado ao dia a dia dos jogadores e da comissão técnica. Até aí tudo bem, visto que o futebol é o maior esporte do mundo e assim o que mais movimenta dinheiro e, os patrocinadores que pagam para que suas marcas sejam expostas querem retorno.
É isso mesmo companheiro da velha guarda, futebol é marketing, vendas, cifras e não arte.
Mas daí começam os exageros, tal como a preocupação excessiva com as bolhas nos pés do “Fenômeno” e uma preocupação sem tamanho porque o cidadão apareceu de chinelos. Ora, não esqueçam que ele cresceu na favela, andando quando muito de chinelos e depois, quem não adora uma boa havaiana? Será que ninguém tem mais nada a fazer, doque se preocupar como os juros americanos, a queda das bolsas no mundo, a pobreza, a ameaça às baleias? O que há de tão grave nas bolhas do Ronaldo? Motivo para parar uma nação?
Coincidências ou não, hoje é 6/6/06, uma data assombrosa para uns, comemorativa para outros, para o pessoal do Iron Maiden e seus milhões de fans pelo mundo, com certeza. Muitos associam esse número ao fim do mundo, apocalipse aliando os ataques de 11/09, julgamento de Saddam, problemas nucleares no Irã e, ameaça de 3ª. Guerra caso Bin Laden seja morto com as profecias de Nostradamus.
Bom, se o fim está próximo eu não sei. Mas acredito que haja um fim realmente. Falando sério. Não acredito no planeta Terra nos próximos 100, 200 anos. Até lá já teremos consumido tudo, as fontes de energia estarão escassas e se alguém sobreviver será graças aos mesmos instintos que vêm destruído a Terra: ganância, selvageria, falta de respeito e coletividade.
Enquanto tudo isso acontece, enquanto o mundo caminha para becos sem saída, enquanto políticos não se entendem, ou melhor, só se entendem por debaixo dos panos, buscamos subterfúgios em qualquer coisa (futebol, novelas) e os acordões em todos os níveis do poder continuam a dar o ritmo ao camihar da humanidade. O que antes era papel da Igreja é hoje da televisão, a paixão e o fanatismo permanecem, só trocaram de camisas.
Num ano de eleições fundamenais para o Brasil nada melhor que uma Copa do Mundo, com a seleção brasileira favoritíssima, com todas as luzes acessas sobre a camisa amarela. Um ótimo cenário para se esquecer mensalão, CPIs, Superoferta de hábeas corpus do supremo e tantas outras coisas que nos separam de uma verdadeira nação. Lula aguarda ansioso o momento de receber os heróis do Hexa na rampa do planalto.
Aliás, temos sim algo a comemorar na Copa, mais que gols e títulos. É a única oportunidade em que somos uma nação, uma vedadeira nação, mesmo que a cada 4 anos.
Se o mundo acabará, num 6/6/06 ou quem qualquer outra data, sinceramente, não estou preocupado, mas que se caminha para um cenário bem diferente isso sim. Mas só depois da ressaca da copa.

quinta-feira, junho 01, 2006

How does it feel

... to be on your own, with no direction home, like a complete unknown, like a rolling stone?
Tento imaginar o que tu pensavas Bob quando escreveste esta música. Será que estava cansado das viagens, das turnês, sem ter um lugar fixo, uma parada, dormindo cada noite numa cama diferente, acordando muitas vezes sem saber onde está?
Será que tu estavas perdido, sem ter pra onde ir e, mesmo cheio de gente a tua volta, dando todo o suporte que tu precisavas, tu sentias o vazio e a desilusão de que seria sempre por ti e só por ti.
Mesmo com todos os caminhos, todas as portas abertas, todas as pessoas querendo estar ao teu lado tu te sentias confuso, sem ter uma direção, um caminho de volta para casa e muitas vezes nem ter certeza de ter uma, mesmo tendo várias.
Pessoas entrando e saindo da tua vida, como se fosse um parque de diversões num ensolarado domingo de verão e tu não saber quem elas são. Elas, ao contrário, sabem muito bem quem tu és e nem por isso deixas de ser um estranho, um câncer a ser extirpado. Tua missão é provocar mudança, abrir seus olhos. E elas não querem, não te querem. Elas querem fazer do mesmo jeito de forma diferente e continuar suas vidas medíocres, sentadas nas mesmas cadeiras, nas mesmas mesas de frente pras mesmas janelas. E tu não sabes o quanto elas te odeiam e quando será o golpe, quando o tapete será puxado.
Nunca vire as costas, nunca deixe o ponto sem nó, nunca Bob.
Essa foi a vida que escolhemos Bob. Pipas voadas, pedras rolantes, muitas vezes sem direção ou caminho de volta, sempre por si, e na maioria nem ao menos por si e sim ao vento ou aos caprichos da montanha por onde rolamos.
À pergunta que me fizeste Bob te respondo que prefiro ser uma pedra rolante do que criar limo, vendo todos meus amigos envelhecerem, vendo a cidade continuar a mesma, enquanto o cara do espelho se torna cada dia mais estranho. É assim que eu me sinto. Keep rolling.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?