quinta-feira, junho 01, 2006
How does it feel
Tento imaginar o que tu pensavas Bob quando escreveste esta música. Será que estava cansado das viagens, das turnês, sem ter um lugar fixo, uma parada, dormindo cada noite numa cama diferente, acordando muitas vezes sem saber onde está?
Será que tu estavas perdido, sem ter pra onde ir e, mesmo cheio de gente a tua volta, dando todo o suporte que tu precisavas, tu sentias o vazio e a desilusão de que seria sempre por ti e só por ti.
Mesmo com todos os caminhos, todas as portas abertas, todas as pessoas querendo estar ao teu lado tu te sentias confuso, sem ter uma direção, um caminho de volta para casa e muitas vezes nem ter certeza de ter uma, mesmo tendo várias.
Pessoas entrando e saindo da tua vida, como se fosse um parque de diversões num ensolarado domingo de verão e tu não saber quem elas são. Elas, ao contrário, sabem muito bem quem tu és e nem por isso deixas de ser um estranho, um câncer a ser extirpado. Tua missão é provocar mudança, abrir seus olhos. E elas não querem, não te querem. Elas querem fazer do mesmo jeito de forma diferente e continuar suas vidas medíocres, sentadas nas mesmas cadeiras, nas mesmas mesas de frente pras mesmas janelas. E tu não sabes o quanto elas te odeiam e quando será o golpe, quando o tapete será puxado.
Nunca vire as costas, nunca deixe o ponto sem nó, nunca Bob.
Essa foi a vida que escolhemos Bob. Pipas voadas, pedras rolantes, muitas vezes sem direção ou caminho de volta, sempre por si, e na maioria nem ao menos por si e sim ao vento ou aos caprichos da montanha por onde rolamos.
À pergunta que me fizeste Bob te respondo que prefiro ser uma pedra rolante do que criar limo, vendo todos meus amigos envelhecerem, vendo a cidade continuar a mesma, enquanto o cara do espelho se torna cada dia mais estranho. É assim que eu me sinto. Keep rolling.


