quinta-feira, maio 18, 2006

Resiliência, bem diferente de comodismo.

Há situações extremas onde somos levados ao limite. Seja um stress físico, mental ou social, coletivo.

Neste último temos vários exemplos recentes espalhados pelo mundo. Os mais famosos: os atentados aos EUA, em 2001; em Madri, em 2004 e Londres, em 2005, realizados pela Al Qaeda. Sem falar nas graves crises que se espalham pela África onde pessoas são constantemente dizimadas em países paupérrimos e alastrados por doenças e pestes que só perdem em força para a ganância humana.

No Brasil tivemos um caso recente, ou melhor, estamos tendo um. São Paulo, o centro financeiro e econômico (e muitas vezes político) do país está sendo atacada por bandidos, ou melhor, por uma organização criminosa chamada PCC (Primeiro Comando da Capital).

Quando o primeiro avião chocou-se contra o World Trade Center a CNN estampou a manchete: “América under attack” deixando bem claro que era uma situação de guerra, ou seja, era necessário investir forças para se proteger e atacar. Civis, saíram às ruas para ajudar e depois cobraram do governo ações para retaliar e prevenir mais ataques.
E no Brasil? O presidente convocou uma reunião para segunda feira (os primeiros ataques aconteceram na sexta), ninguém falou em invadir presídios, usar a força. Preferiram dizer que a culpa é de quem não investiu em educação e mais uma vez que os presos são uns “coitadinhos”. Os EUA só não mataram Bin Laden porque não o acharam. Aqui os Bin Ladens estão presos com regalias como aparelhos de TVs nas celas, visitas íntimas e celulares à vontade.

Também, o que esperar de um país onde nunca se roubou tanto, de forma tão escrachada e escancarada. Um bandido só pode pensar: “se eles podem, por que eu não?” Esta é a nova instituição: o crime legitimado pelos 3 poderes, repleto de comparsas que se abraçam e dançam pra comemorar as vitórias da impunidade do mensalão, as tramóias das ambulâncias. Pelo jeito Ali Babá e seus 40 labrões não estão sozinhos e estamos cada vez mais parecidos com uma Gotham City, corrompida na cúpula e nas ruas e, o que é pior, sem Batman.

Essa é a grande diferença. Outros povos são resilientes, enfrentam as tragédias, mas exigem que seus direitos sejam cumpridos, que o Estado lhes dê a segurança mínima, para então voltarem à sua vida normal. Já no Brasil, preferimos assistir de longe, indignados sim, bastante, mas sem fazer nada, acomodados. Afinal, essa é a nossa cultura comodista, esperar do Governo. Queremos simplesmente assistir o que está acontecendo
pelo JN, enquanto a novela não começa.

Comments:
Excelente, meu adorável pequeno grande homem! Tanta inteligência e consciência escondidas por detrás das poucas palavras e do olhar, não raras vezes, distante! Sempre surpreendendo! Mas é isso, não podemos nos manter silentes a isso tudo que estamos vivendo, ou nas tuas palavras, assistindo apáticos enquanto a novela não começa! Te admiro!
 
Não tenho nada a dizer se não obrigado.
 
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