segunda-feira, setembro 04, 2006

sobre porcos, ovelhas e políticos


Em A Revolução dos Bichos de George Orwel, os animais de uma fazenda, inspirados pelos ideais de liberdade de um velho porco, fazem uma revolução contra os maus tratos e abusos de seu dono e assumem o poder da fazenda, expulsando o proprietário.
A nova ordem é instaurada e guiada por 7 mandamentos que davam aos bichos deveres e direitos iguais, respeitando a capacidade de trabalho de cada ser. A fazenda prosperava, mas os porcos, mais inteligentes e à frente da Republica dos Animais, divergem sobre alguns pontos até que um deles, tendo os cães ao seu lado, toma o poder e impõe apenas uma regra:
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“todos os bichos são iguais, porém uns são mais iguais que outros”.
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Na ultima cena, os demais bichos assistem a uma partida de poker entre humanos e porcos, que agora se vestem e andam de pé feito gente. Por fim, numa briga por conta de uma carta, porcos e humanos lutam entre si e os bichos, confusos, não conseguem mais identificar quem é quem.

Tentei recentemente assistir ao programa eleitoral gratuito e não consegui diferenciar nada. Na tela da tv, bem à minha frente, todos eram porcos. Uns barbudos, outros de bigode, outros carecas. Fiquei em dúvida se eram realmente porcos querendo ser gente ou gente chafurdando a lama em troca de comida, no caso, de votos. No fundo querem apenas engordar, cada vez mais e mais, sem se importar como. Porcos limpos e cheirosos no dia da exposição, cobertos de lama até as orelhas no dia seguinte.
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Pensei: O que é na verdade a Casa Branca, o Pentágono, Hollywood? E o Planalto, o Congresso e os tão amados Clubes de Futebol? São na verdade enormes, gigantescos chiqueiros habitados por porcos gordos e famintos que vivem pelo próprio umbigo mesmo não conseguindo enxergá-lo, protegidos pelos cães ferozes e ovelhas.

Sim, são as inofensivas ovelhas quem garante o poder aos porcos, mais que os cães. Inocentemente passam seu tempo no pasto, submissas e obedientes assistindo à novela, fantasiando que as coisas são o que não parecem ser, imaginando que o grande porco barbudo é uma ovelha como todas as outras, sem ver que no final serão sacrificadas. O que se ganha por fingir que o perigo não é real? Por que se precisa tanto de um pastor para pensar e para tomar decisões?

Só tem um jeito mesmo de mudar: acordar as ovelhas e tirar os porcos de lá. Não tem outra forma. Como se faz isso? Pegar em armas ou votar. Para quem acha a segunda opção a mais viável talvez isso possa ajudar:
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www.politicosdobrasil.com.br
(declarações dos bens de políticos brasileiros)
http://perfil.transparencia.org.br
(perfil de quem busca uma vaga na câmara dos deputados)
www2.camara.gov.br/deputados
(freqüência dos parlamentares às sessões da câmara)


Tenha certeza se o teu candidato é alguém querendo melhorar sua vida ou é mais um porco querendo ser alimentado pelo teu trabalho.

Comments:
gostei dos links =)
o segundo eu já conhecia até.
 
Hehehe...de novo, sobre livros eu gosto..tb li esse e de novo...analogia perfeita..rs
Não suporto o horário político "gratuito", acho uma tremenda ofensa à nossa inteligência, mas enfim...vamos ver no que dá, de novo.
Bj
 
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