quarta-feira, janeiro 24, 2007
chapinhas, amiiiiigaaaas e sacos na cabeça
Minha amiga Lari me indicou este video que trata perfeitamente uma questão ultimamente em voga e que têm aberto às víceras nossa sociedade deturpada, míope e doente.
Meninas cada vez mais magras desenvolvem perversa obsessão pelo corpo que julgam perfeito ao preço da deteriorização, muitas vezes sem volta, do seu próprio. Reflexos de uma sociedade que busca o modelo perfeito, seja a democracia de Bush ou o socialismo do século XXI de Chavez. Reflexos do sonho pincelado pelo fotoshop, vendido em capas de revistas e em embalagens de xampu, fagocitado instantâneamente por meninas, jovens, mulheres que querem ser Victorias, Giseles, Anas. Ah, essa tal de Ana virou moda. A ode à perfeição que tapa a doença tão eficientemente quando uma peneira o sol. Tênue linha. De um lado elogios, do outro críticas. De um lado aplausos, do outro pedradas.
Isso me faz lembrar um episódio. Certa vez as amigas da minha irmã se arrumaram lá em casa para uma festa. Ritual tradicional das chapinhas alisando e queimando fios que nunca estão lisos o suficiente. Lagartas transformando-se em borboleta (ou seria o contrário?) em cima dos seus saltos poderosos. Quanto mais perto do sol, melhor. Retoques, maquiagens, pinceladas surrealistas em olhos e bocas que insistiam permanecer naturais.
Natureza humana contrariada vingada pela natureza do tempo. A chuva é o inimigo número 1 da adepta da chapinha, causando um estrago inimaginavelmente maior que qualquer alagamento. O que fazer? Como vencer a longa distância entre a portaria do prédio e o carro do outro lado da rua? Venceu a engenhosidade humana. Elas acharam a melhor utilidade para aquelas sacolas de mercado que a minha mãe sempre guarda pra colocar o lixo do banheiro. Sim, elas vestiram a sacola na cabeça e saíram porta a fora, rebolando sobre seus saltos agulhas, como se fosse a última moda do Grande Prêmio Brasil.
Definitivamente, mulher se veste para mulher: "Amiiiiiiigaaaaa, tá liiiindaaaaaa", é o prêmio máximo, mesmo que no fundo se saiba que é mais falso que a cópia Loui Vuitton à tira-colo. Qualquer homem que notasse o estrago na chapinha iria, com certeza, querer apenas o número de um amigo seu.
Pelo que tenho percebido, o saco na cabeça virou moda, não apenas entre o universo feminino- ultra-vaidoso, mas entre a população em geral que deixou de ver o que é realmente importante, que deixou de ver além, que morreu no superficial. Meu colega e amigo Wilson sempre me diz que quem quiser as pérolas deve mergulhar fundo, quem não o fizer permanecerá esbarrando nas porcarias que boiam na superfície. A campanha da Dove é perfeita, ela nos diz justamente isso, para mergulhar, descobrir o que é realmente importante, sair do superficial, nos preocupar com as questões que fazem a diferença. Então descobrimos que o verdadeiro, o real é o simples, o natural, é cada um de nós.
Impecável e admirável, ainda mais vindo de um homem, porque se é verdade que mulheres se arrumam para mulheres, é verdade também que o reforço positivo desse comportamento alucinado muitas vezes vem dos homens, em especial em sociedades ainda um tanto machistas como as latino americanas.Parabéns! Bj grande
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